O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), não poupou críticas ao governo federal nesta quinta-feira, 5, e reiterou com veemência o apelo por ações imediatas para a recuperação da BR-364. Essa rodovia, que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul, é considerada vital para o estado, e Cameli convidou o ministro dos Transportes, Renan Filho, a visitar pessoalmente o trecho da estrada que, segundo ele, corre risco de ser completamente interditado.
“A BR-364 pode fechar. E não é problema meu, é um problema do Brasil. O acreano não aguenta mais esse tempo de espera”, afirmou com a voz embargada pela urgência. O governador questionou a lentidão no processo de licitação para as obras, alertando que, se o edital for lançado apenas em julho, as ordens de serviço só seriam emitidas em agosto ou setembro, período em que o verão amazônico já estará terminando.
A insatisfação de Cameli se aprofunda ao constatar que, apesar de recursos para a BR-364 já terem sido alocados desde sua atuação como senador, a concretização das obras é barrada por sérias deficiências. Ele apontou falhas graves de planejamento por parte do governo federal, que, segundo ele, levam a entraves burocráticos desnecessários e à politização de projetos de infraestrutura cruciais. “Alguma coisa está atrapalhando. A burocracia tem que ser eliminada. Não dá para ficar politizando grandes obras de infraestrutura”, criticou de forma contundente.
Em sua fala, o governador deixou claro que a responsabilidade pela paralisação não pode ser integralmente transferida para a gestão estadual. Cameli enfatizou que, mesmo diante das adversidades locais, o Ministério dos Transportes precisa reconhecer a importância da região. “O Ministério dos Transportes precisa entender que o Acre pertence à Região Norte e que a Região Norte também é Brasil”, reafirmou, cobrando uma visão nacional sobre o problema.
Com um toque de ironia, Cameli rejeitou a proposta de que cada deputado adote um trecho da BR-364 por meio de emendas parlamentares. “Por que não pediram isso há dois anos? Agora que é ano eleitoral querem resolver? Isso é estranho”, disparou, questionando a conveniência política da sugestão.
Por fim, reforçou seu convite direto ao ministro Renan Filho: “Vem ao Acre, ministro. Você foi governador, eu também. Venha ver de perto. Não é só Alagoas e o Nordeste que existem. Venha aqui, porque o povo acreano precisa de respostas.”
Com informações Ac24horas








