Em uma sessão simbólica nesta terça-feira (24), o Senado aprovou o Projeto de Lei 1.246/2021, que estabelece um mínimo de 30% de mulheres nos conselhos de administração de empresas estatais — e dentro dessa fatia, uma reserva específica para mulheres negras e com deficiência. O texto, de autoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), foi acolhido com apenas ajustes de redação e segue agora para sanção presidencial.
A proposta representa um marco legal na busca pela equidade nos espaços de poder econômico e empresarial. E não veio à toa: segundo dados do IBGE de 2024, embora as mulheres sejam a maioria da população, ocupam apenas 39,3% dos cargos gerenciais no país — a maioria deles ainda distante das salas de decisão estratégica.
Uma vitória construída com mobilização coletiva
A votação foi conduzida por uma das vozes mais atuantes na defesa da igualdade de gênero no Parlamento, a senadora Leila Barros (PDT-DF), líder da bancada feminina. Em sua fala, ela destacou o papel da luta coletiva, dos movimentos de mulheres e do apoio político necessário para colocar a proposta em pauta.
“Se não tivéssemos aprovado hoje esse projeto, talvez esperássemos mais 50 anos por essa conquista. Isso não é privilégio. Isso é justiça”, declarou Leila.
Ela também agradeceu à senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), relatora do texto na Casa, à autora da proposta e aos coletivos femininos que pressionaram pela aprovação.
Não é só número — é transformação
Mais do que uma meta estatística, a nova exigência sinaliza um rearranjo na cultura institucional brasileira. Com as cotas, busca-se corrigir desequilíbrios históricos e promover uma presença mais plural e representativa nos espaços onde se decidem os rumos das empresas públicas — e, por consequência, dos investimentos e serviços estratégicos do Estado.
A reserva específica para mulheres negras ou com deficiência também abre espaço para debates mais profundos sobre interseccionalidade e inclusão, evitando que a equidade de gênero se limite à reprodução de desigualdades dentro do próprio grupo feminino.
Agora, com a caneta do presidente como próximo passo, o Brasil se aproxima de uma agenda que ecoa em conselhos ao redor do mundo: a diversidade não é só justa — é essencial para liderar com inteligência e legitimidade.
Da redação








