A reabilitação montada no lombo de um cavalo pode ganhar espaço oficial na saúde pública brasileira. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado se reúne nesta quarta-feira (2), às 9h, para analisar 13 propostas — entre elas, o Projeto de Lei 3.446/2019, que propõe incluir a equoterapia na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Sistema Único de Saúde (SUS).
De autoria do deputado André Ferreira (PL-PE), o projeto conta com parecer favorável do relator senador Nelsinho Trad (PSD-MS), e pode abrir caminhos para que estados e municípios firmem convênios com entidades públicas ou privadas especializadas na técnica, voltada especialmente ao tratamento de pessoas com deficiência.
Terapia que conecta e transforma
A equoterapia é uma prática interdisciplinar que utiliza o cavalo como agente terapêutico em programas de reabilitação física, cognitiva e emocional. Mais do que montar, o paciente se envolve em uma experiência sensorial com o animal, que estimula o corpo, a mente e a autoestima de forma integrada.
“O contato com o cavalo oferece um ambiente não convencional, acolhedor e altamente motivador, favorecendo a adesão ao tratamento e o fortalecimento do vínculo com a equipe de saúde”, argumenta o relator no parecer.
A proposta quer reconhecer essa abordagem como parte do conjunto de terapias oferecidas pelo SUS, ao lado de práticas como acupuntura, aromaterapia, meditação e fitoterapia, que já compõem a PNPIC.
Práticas integrativas e o olhar ampliado sobre o cuidado
As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) valorizam uma escuta atenta, vínculo terapêutico e respeito à subjetividade de cada pessoa. Elas surgem como resposta a um modelo biomédico tradicional, oferecendo alternativas que promovem prevenção, bem-estar e humanização do cuidado.
A equoterapia, ao ingressar nesse campo, amplia ainda mais as possibilidades de acolhimento no SUS — especialmente para crianças com autismo, pessoas com paralisia cerebral, distúrbios motores ou de aprendizagem, entre outros.
E agora?
Se aprovada na CAS, a proposta segue para novas etapas legislativas antes de se tornar lei. Mas o gesto é simbólico: sinaliza que o cuidado com o outro pode — e deve — ser plural, sensível e com os pés (ou cascos) fincados no afeto.
Porque, às vezes, é no compasso sereno de um cavalo que a saúde reencontra o seu caminho.
Da redação








