Em uma tentativa de conter os impactos da nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o Senado aprovou nesta terça-feira (15) a criação de uma comissão externa temporária que atuará como ponte diplomática com o Congresso norte-americano. A missão busca restabelecer o diálogo e defender os interesses comerciais do Brasil em Washington.
A decisão do presidente Donald Trump de sobretaxar produtos brasileiros — com foco nas exportações de carne bovina — acendeu o alerta em Brasília. O aumento deve entrar em vigor no dia 1º de agosto e já provoca insegurança entre empresários e produtores rurais.
A comissão será composta por quatro senadores e atuará por 60 dias. Os parlamentares têm viagem marcada para os dias 29 a 31 de julho, com agenda prevista na capital norte-americana.
Diplomacia parlamentar em campo
O requerimento para a criação da comissão (RQS 556/2025) foi apresentado pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que destacou a urgência de atuação:
— Precisamos construir uma ponte de diálogo. Os canais diplomáticos formais enfrentam obstáculos, e o Senado pode atuar como elo direto para entendimento político entre os Parlamentos — afirmou.
Exportações sob ameaça
Trad alertou que frigoríficos brasileiros avaliam suspender as exportações para os EUA, devido à incerteza gerada pela nova tarifação. Segundo ele, não é apenas o setor da carne que está em risco:
— Empresário precisa de previsibilidade. Outros setores também estão inseguros. A taxação ameaça nossa balança comercial e empregos no campo — destacou o senador.
Alerta também no setor produtivo
Mais cedo, durante uma audiência na CRE, representantes do governo federal e de entidades do setor produtivo discutiram os impactos da medida norte-americana.
O tom foi de preocupação, mas também de esperança de que uma ação coordenada e diplomática possa evitar um acirramento comercial entre os dois países.
Com a missão, o Senado reforça o papel do Legislativo na diplomacia internacional e sinaliza que o Brasil busca diálogo e equilíbrio em tempos de tensão comercial.
Agora, os olhos estão voltados para Washington e para o que poderá sair dessa viagem de alto nível: um recuo das tarifas ou, ao menos, uma mesa de negociação aberta.
Da redação








