Depois de uma semana de intensas negociações com governistas e oposicionistas, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) viu sua articulação em torno do PL da Dosimetria — antigo PL da Anistia — estagnar. O motivo não está apenas nas divergências de mérito, mas no clima azedo entre Câmara e Senado, acentuado após a decisão da Casa Alta de enterrar de vez a chamada PEC da Blindagem.
Pausa estratégica
Segundo aliados, Paulinho decidiu segurar o jogo. O relator só deve apresentar um rascunho do parecer quando o ambiente entre as duas Casas “esfriar”. Hoje, avalia ele, há desgaste político demais para tentar avançar com um texto que já nasce polêmico.
Encontro cancelado
Um movimento de aproximação chegou a ser costurado. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), organizou uma reunião entre Paulinho e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para a noite de quarta-feira (24). Mas o encontro foi cancelado e ainda não tem nova data definida.
Com o impasse, Paulinho retornou a São Paulo, e a expectativa é que uma eventual conversa com Alcolumbre só aconteça na próxima semana.
Ajuste no discurso
Percebendo o desgaste natural do tema, o deputado também adotou novo tom em relação ao projeto do Imposto de Renda, evitando confrontos diretos com a oposição e até com parte da base governista. A estratégia é clara: não alimentar atritos enquanto o terreno político segue instável.
O que está em jogo
O PL da Dosimetria busca estabelecer parâmetros mais claros sobre punições a manifestantes em protestos políticos — um assunto que divide não apenas partidos, mas também a opinião pública. A paralisia atual mostra como a tensão entre Câmara e Senado pode travar pautas sensíveis e de alto impacto no cenário nacional.
Da redação








