O ministro Luís Roberto Barroso anunciou, nesta quinta-feira (9), que vai antecipar sua saída do Supremo Tribunal Federal (STF), encerrando uma trajetória de mais de uma década marcada por protagonismo jurídico, embates institucionais e uma defesa apaixonada da democracia.
A decisão, comunicada durante sessão da Corte, surpreendeu parte dos colegas e já movimenta articulações intensas entre o Planalto e o Judiciário para a escolha de seu sucessor.
“Hora de seguir novos rumos”
“É hora de seguir novos rumos. Não tenho apego ao poder e gostaria de viver a vida que me resta sem as responsabilidades do cargo. Os sacrifícios e os ônus da nossa profissão acabam se transferindo aos familiares e às pessoas queridas”, declarou Barroso, em tom emocionado.
O ministro, que presidiu o Supremo até setembro — quando Edson Fachin assumiu o comando da Corte —, deve formalizar sua saída na próxima semana, após liberar os processos pendentes em seu gabinete.
Embora sua aposentadoria compulsória estivesse prevista apenas para 2033, aos 75 anos, Barroso decidiu encerrar a carreira no tribunal quase uma década antes. Ele pretende fazer um retiro espiritual antes de iniciar uma nova fase pessoal e profissional.
Disputa pela vaga
Com a saída antecipada, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganha a oportunidade de indicar mais um ministro ao STF, e o movimento já desencadeou uma disputa silenciosa nos bastidores de Brasília.
O nome mais cotado é o do advogado-geral da União, Jorge Messias, homem de confiança de Lula e figura de perfil técnico, com trânsito político consolidado no governo. Caso confirmado, Messias — que foi assessor da Presidência e articulador da defesa jurídica do Executivo — poderá permanecer até 30 anos na Corte.
Outros nomes também circulam nos bastidores do Planalto, como o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o do presidente do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, e o do ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius Carvalho.
A escolha será estratégica, levando em conta o equilíbrio interno da Corte, as alianças políticas e o tabuleiro eleitoral de 2026.
Um legado de ativismo e coragem
Barroso deixa o STF como uma das figuras mais marcantes de sua geração — progressista, eloquente e frequentemente controverso. Em sua passagem, defendeu pautas como a descriminalização do aborto, a união homoafetiva, a liberdade de expressão e o combate às fake news, além de ter sido um dos ministros mais atuantes durante a crise institucional de 2022.
Sua despedida encerra um ciclo, mas também inaugura uma nova disputa — não apenas por uma cadeira na mais alta Corte do país, mas pelo rumo simbólico do Judiciário brasileiro nos próximos anos.
Da redação








