Em junho, o deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) subiu à tribuna da Câmara dos Deputados para criticar com veemência uma decisão judicial que determinou o fechamento de uma estrada na floresta amazônica entre os municípios de Cruzeiro do Sul (AC) e Porto Walter (AC).
O que Barbary não disse em seu discurso: foi a própria gestão dele que abriu a estrada, promovendo desmatamento ilegal com máquinas compradas por meio de emendas parlamentares — ou seja, com dinheiro público.
A estrada do silêncio
A via, aberta sem licenciamento ambiental, cortou áreas sensíveis da floresta, alcançou terras de família do próprio deputado e ainda invadiu território indígena.
Mesmo diante das irregularidades, Barbary discursou no plenário como se fosse defensor do povo do interior, afirmando que o fechamento da estrada prejudicava comunidades isoladas.
“Eu faria tudo de novo”
Confrontado pela reportagem, o deputado não recuou.
Pelo contrário: disse que repetiria a obra.
A estrada ilegal foi construída com tratores e escavadeiras adquiridas graças a emendas indicadas pelo parlamentar, numa mistura explosiva de poder político, recursos públicos e destruição ambiental.
Investigação internacional
A denúncia faz parte de uma apuração realizada com apoio da Rainforest Investigations Network, do Pulitzer Center, que investiga como políticos, empresas e estruturas públicas contribuem para a devastação da floresta amazônica.
O caso levanta uma pergunta central:
Quando o poder ignora a lei, quem protege a floresta?
Da redação








