O que parecia um bairro tranquilo em Presidente Prudente, interior de São Paulo, escondia uma trama digna de série policial. A Operação Recon, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, revelou um plano meticuloso do Primeiro Comando da Capital (PCC) para assassinar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina.
Casa de luxo, vigilância e tráfico
A investigação descobriu que os criminosos alugaram uma casa de alto padrão a menos de um quilômetro da residência de Gakiya. O imóvel, além de servir como ponto de distribuição de drogas, funcionava como base de vigilância: dali, membros da facção monitoravam a rotina do promotor e da equipe de escolta que o protege diariamente.
Imagens aéreas mostraram movimentações suspeitas e reuniões frequentes no local. A suspeita é que o ataque seria realizado no trajeto habitual de Gakiya até o trabalho — uma emboscada cuidadosamente planejada.
Alvo há décadas
Lincoln Gakiya não é um nome novo na mira do crime organizado. Desde 1996, quando assumiu a Promotoria de Justiça da Comarca de Presidente Prudente, ele se tornou uma pedra no sapato do PCC. Foi para essa cidade que, em 2006, a cúpula da facção foi transferida, e desde então Gakiya lidera investigações contra suas lideranças e infiltrações no estado.
Segundo o Ministério Público, a célula criminosa envolvida no plano era “altamente disciplinada e compartimentada”, com a missão de levantar informações detalhadas sobre autoridades e seus familiares — tudo com o objetivo de executar atentados contra alvos previamente selecionados.
A resposta do Estado
A Operação Recon cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em sete cidades da região, resultando na prisão de quatro suspeitos e na apreensão de veículos, celulares, computadores e documentos. O plano foi frustrado antes que pudesse ser colocado em prática, graças à análise de dados e interceptações que revelaram o nível de organização da célula criminosa.
Da redação








