O Acre é, historicamente, terra de mulheres fortes. Das extrativistas que enfrentaram o isolamento às juristas que alcançaram os mais altos tribunais, a força feminina é o motor que move a economia, a cultura e a resiliência do nosso estado. No entanto, quando voltamos o nosso radar para a galeria de governadores no Palácio Rio Branco, o cenário é quase exclusivamente masculino.
Em mais de 60 anos de história desde a elevação do Acre a Estado em 1962, apenas uma mulher sentou-se na cadeira principal como titular: Iolanda Fleming, na década de 80. De lá para cá, o comando estadual tornou-se um território de difícil acesso para as mulheres, apesar de elas representarem cerca de 52% do eleitorado acreano.
A Conta que não Fecha
Por que a representatividade no Poder Executivo estagnou? A resposta não está na falta de competência, mas nas barreiras invisíveis dos diretórios partidários. As decisões de cúpula ainda ocorrem em ambientes majoritariamente masculinos, onde o acesso real aos grandes fundos de campanha e o apoio político de peso ainda priorizam nomes já estabelecidos. Muitas vezes, as mulheres são relegadas ao papel de “vice” ou usadas para preencher cotas, sem o suporte necessário para encabeçar uma chapa com chances reais.
O Fator Mailza e a Quebra de Paradigmas
O cenário atual, no entanto, dá sinais de que o radar pode detectar mudanças profundas. Com a ascensão de Mailza Assis ao comando do governo estadual, o Acre volta a ter uma mulher na cadeira de governadora após décadas. Mas o teste de fogo virá nas urnas: Mailza caminha para consolidar sua liderança e buscar a manutenção do cargo por mérito eleitoral direto.
Mais intrigante ainda são os bastidores que ventilam uma aposta audaciosa: a formação de uma chapa majoritária duplamente feminina. Se concretizada, uma chapa de governadora e vice composta apenas por mulheres não seria apenas uma estratégia eleitoral, mas um xeque-mate no conservadorismo político local.
O Olhar do Radar
Seria o eleitorado acreano pronto para quebrar essa hegemonia masculina de uma só vez? Ou as estruturas partidárias ainda tentarão impor o tradicional “equilíbrio” de gênero apenas para manter o status quo?
O jornalismo ético exige que façamos essa pergunta. O Acre precisa que o seu comando seja tão diverso quanto o seu povo. Estaremos atentos às movimentações, porque o futuro da política acreana passa, inevitavelmente, pelo protagonismo feminino.
O radar está ligado. O Acre sob análise, com rigor.








