A oposição no Senado trabalha nos bastidores para desacelerar o andamento da PEC que propõe mudanças na escala de trabalho 6×1. Entre as estratégias discutidas, a principal envolve uma articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, junto ao presidente da Câmara, Hugo Motta, para estender a tramitação da proposta ao longo de junho.
A avaliação de parlamentares é que, caso a proposta avance lentamente na Câmara, ela chegaria ao Senado apenas entre o fim de junho e o início de julho, começando a tramitar efetivamente somente em agosto. O movimento busca aproveitar um período tradicionalmente esvaziado no Congresso, marcado por festas juninas, convenções partidárias e pela realização da Copa do Mundo, o que reduziria o ritmo das votações.
Nos bastidores, integrantes da oposição defendem que o atraso possa empurrar a análise final da PEC para depois das eleições, adiando inclusive uma eventual implementação da medida. Dependendo do cenário político após a disputa presidencial, a intenção seria levar a discussão para os próximos anos.
Senadores ouvidos pela imprensa afirmam que Alcolumbre já teria conversado com Hugo Motta sobre o tema. Segundo relatos, o presidente da Câmara argumentou ter compromisso com o Palácio do Planalto para acelerar a votação da proposta e concluir sua análise ainda em maio. Na semana passada, Alcolumbre sinalizou a aliados que pretende retomar as conversas sobre o assunto.
A oposição também tenta explorar o atual desgaste na relação entre Alcolumbre e o governo federal após a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
No Senado, parlamentares atribuem a rapidez defendida por Hugo Motta a um acordo político envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado paraibano. Nos bastidores, circula a avaliação de que o apoio do governo à candidatura de Nabor Motta ao Senado pela Paraíba estaria ligado ao avanço da proposta na Câmara.
Apesar da resistência, senadores admitem que votar contra a PEC pode gerar desgaste político. Por isso, a estratégia considerada mais viável seria adiar a votação definitiva, retardando tanto a implementação quanto a eventual aprovação do texto.
Outro caminho analisado pela oposição é permitir que a PEC chegue ao Senado dentro do cronograma previsto por Hugo Motta, no início de junho, mas tentar frear sua tramitação já dentro da Casa.
Essa alternativa, porém, é vista com menos otimismo. Isso porque a proposta passaria inicialmente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar, aliado do governo federal.








