O ano de 2025 abre a cortina para uma das disputas mais intrigantes da política acreana: a corrida ao Palácio Rio Branco em 2026. Os movimentos iniciais já deixam claro que a eleição majoritária será um embate de forças consolidadas, nomes em ascensão e figuras que precisam provar seu valor nas urnas.
No campo da disputa, um nome de peso já surge como protagonista: o senador Alan Rick. Experiente, consolidado no cenário político e com uma base eleitoral fiel, representa uma candidatura forte. Sua trajetória inclui trânsito entre diferentes grupos e um discurso alinhado com o bolsonarismo, fator que ainda pesa nas eleições acreanas.
Outro nome que não pode ser descartado é o do atual prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom. Embora ainda não tenha anunciado oficialmente sua intenção de concorrer ao governo estadual, sua posição como gestor da capital o coloca em evidência. A administração municipal serve como vitrine para qualquer político que sonha com voos mais altos, e sua decisão poderá alterar significativamente o cenário eleitoral.
Mas há uma figura que chama atenção pela trajetória peculiar: Mailza Assis, a atual vice-governadora. Seu percurso na política foi, até aqui, marcado por uma particularidade rara: nunca teve um voto sequer para os cargos que ocupou. Mailza chegou ao Senado sem precisar disputar uma eleição direta, beneficiada pela ascensão de Gladson Cameli ao governo do Estado. Depois, repetiu o feito ao ser escolhida como vice na chapa de reeleição de Cameli, garantindo mais quatro anos na alta cúpula política sem ter testado sua popularidade nas urnas.
Agora, no entanto, a realidade é outra. Se Mailza quiser se manter no jogo político, precisará, pela primeira vez, enfrentar o veredicto do eleitor. As pesquisas iniciais não são animadoras: patina abaixo dos dois dígitos e enfrenta dificuldades para deslanchar. Não basta apenas fotos com cargos comissionados ou discursos ensaiados; sua candidatura precisará de um discurso mais sólido, propostas concretas e uma identidade política própria, algo que até agora não demonstrou.
A influência do governador Gladson Cameli será determinante. Apesar de sua gestão ter altos e baixos, ele ainda é uma liderança importante no estado. A questão é: ele estará disposto a investir capital político na candidatura de Mailza? E mais: será suficiente? Mailza sempre foi uma peça de bastidor no tabuleiro de Cameli, uma jogadora das sombras que agora precisa brilhar sozinha. Se não conseguir demonstrar força, corre o risco de ser apenas um nome figurativo na disputa.
O cenário nacional também terá reflexos diretos no Acre. A força do bolsonarismo, a popularidade do ex-presidente, e as alianças partidárias vão definir as estratégias locais. Alan Rick, por exemplo, pode surfar em um eventual fortalecimento da direita nacional, enquanto outros candidatos precisarão calibrar suas alianças para não ficarem isolados.
A eleição de 2026 promete ser marcada por uma disputa intensa, em que os candidatos precisarão se consolidar rapidamente para evitar serem engolidos pelo jogo político. Alan Rick larga na frente, mas terá desafios. O atual prefeito, se entrar na disputa, pode bagunçar o tabuleiro. Já Mailza Assis tem o maior desafio de sua carreira: sair da sombra de Gladson Cameli e provar que consegue se sustentar por méritos próprios.
O eleitor acreano terá a missão de decidir quem, de fato, merece ocupar o cargo mais importante do estado. Será o momento de testar os nomes, separar os estrategistas dos oportunistas e decidir o rumo do Acre para os próximos quatro anos.








