Ela foi recepcionada por Nassr Eddine e Koussay Sassi, com quem morou em um primeiro momento. Na casa deles, a vítima afirmou que ambos manuseavam drogas, armas e as cápsulas ingeridas pelas “mulas”, em sua maioria estrangeiros que também frequentavam o imóvel.
Ameaças de morte e pressão psicológica
Na semana passada, segue o relato, Koussay Sassi pediu para a vítima levar, em uma bolsa, um “objeto”. A vítima se recusou, “por temer que pudesse estar sendo utilizada para transportar drogas ou outros objetos ilícitos”.
Com a recusa, afirmou que passou a ser ameaçada de morte, sofrendo “pressão psicológica” e intimidação “para que atendesse à determinação”.
A dupla, acrescentou, teria lhe mostrado imagens nas quais aparece com armas de fogo, para reforçar as ameaças.
Vontade de voltar para casa
Por conta da constatação de que convivia com pessoas ligadas ao crime organizado, a vítima decidiu retornar à Tunísia.
Antes disso, foi à lanchonete onde trabalhava com os suspeitos para pedir o pagamento que lhe deviam, com o intuito de usá-lo na compra de uma passagem de volta à terra natal.
Foi então que, ainda segundo o auxiliar de cozinha, Nassr, Koussay e Mohamed Hamz — esses dois últimos presos em flagrante — passaram a agredi-lo com chutes e socos. Koussay, segue o relato, teria ainda usado uma arma de choque.
Além da violência, os agora indiciados pegaram o passaporte da vítima, sem o qual ela não poderia retornar à Tunísia.
Denúncia e prisões
Por conta disso, o auxiliar de cozinha decidiu denunciar o caso à Polícia Civil. Policiais então foram à casa de Mohamed e Koussay e os prendeu em flagrante. No local foi encontrada pequena quantidade de drogas, a qual foi apreendida assim como celulares e um notebook.
Nassr, apontado como líder do grupo, não havia sido localizado até a publicação desta reportagem. O responsável pelo restaurante no qual a vítima trabalhava, identificado como Ramzi Hosni, também é investigado.
A defesa dos estrangeiros não foi localizada pela coluna. O espaço segue aberto para manifestações.