As chances de encontrar com vida a bebê de nove meses raptada na última semana em Manoel Urbano, no interior do Acre, são consideradas remotas pelas forças de segurança pública. A avaliação foi detalhada na manhã desta segunda-feira (28), durante entrevista coletiva concedida pela cúpula da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
De acordo com o titular da Sejusp, coronel Américo Gaia, as operações em campo permanecem ativas, mas a passagem do tempo e as condições adversas da área reduzem drasticamente a probabilidade de sobrevivência de uma criança dessa faixa etária.
A menina foi retirada da casa da família, situada no ramal Pedro Machado, na zona rural do município. O principal suspeito é o próprio tio da bebê, preso em flagrante no dia posterior ao desaparecimento. Em depoimento oficial, o homem confessou ter retirado a sobrinha do imóvel, mas alegou não se recordar do local onde a deixou.
Força-tarefa mobiliza cães e drones em mata fechada
As buscas terrestres e aéreas concentram-se no perímetro rural de Manoel Urbano. Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), coronel Charles da Silva Santos, os trabalhos contam com apoio de drones com sensores térmicos e cães farejadores treinados para varredura em áreas de vegetação densa e terrenos de difícil acesso. As equipes mantêm o rastreamento contínuo das rotas percorridas pelo suspeito.
Mãe da vítima também foi detida
No domingo (27), a Polícia Civil efetuou a prisão da mãe da bebê. De acordo com as investigações preliminares, ela responderá pelo crime de abandono de incapaz, diante da constatação de negligência no dever de guarda e proteção da criança no momento em que ocorreu o rapto.
Além do inquérito atual, pesava contra a mãe uma ordem judicial decorrente do descumprimento de medidas cautelares aplicadas em um processo criminal anterior.
Investigação descarta outros envolvidos
O delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Paulo Buzulim, afirmou que os esforços estão divididos em duas frentes: a localização física da vítima e a consolidação do inquérito policial para responsabilizar criminalmente os envolvidos.
Conforme a Polícia Civil, os elementos colhidos até o momento indicam que a ação foi individual, sem participação de terceiros fora do núcleo familiar direto. Até o momento, dois suspeitos seguem sob custódia:
O tio da criança: preso em flagrante, confesso quanto ao rapto e sob apuração por sequestro/subtração de incapaz;
A mãe da criança: presa por abandono de incapaz e quebra de medidas cautelares judiciais.
As operações conjuntas entre Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros continuam por tempo indeterminado na região do ramal Pedro Machado.








