Nos bastidores protegidos pelo segredo de Justiça, o assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, foi antecedido por sucessivos alertas formais ignorados. Em apuração exclusiva, o Rota Norte Notícias apurou que o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) representou duas vezes consecutivas pela prisão preventiva do advogado e procurador-geral de Brasiléia, Francisco Valadares Neto, devido à quebra reiterada de medidas protetivas de urgência. Ambos os pedidos foram indeferidos pelo juiz titular do caso.
As investidas da promotoria local ocorreram em resposta aos constantes pedidos de socorro da vítima, que vinha denunciando a escalada das perseguições e o desrespeito às determinações judiciais previstas na Lei Maria da Penha.
A cronologia das representações revela a proximidade temporal com a tragédia:
25 de agosto de 2026: Primeira representação pela prisão preventiva protocolada pelo MPAC após denúncias de que o advogado violava as restrições de aproximação
15 de outubro de 2026: Segundo pedido cautelar apresentado pela promotoria diante de novos episódios de intimidação e do agravamento do risco relatado pela médica
Mesmo com a reiteração do órgão ministerial apontando o perigo iminente, o Judiciário manteve Valadares em liberdade. Menos de três semanas após o último indeferimento, Elyne foi executada com disparos na cabeça na noite desta segunda-feira (2), momentos após acionar o botão de pânico ao notar a presença do ex-companheiro no entorno do estabelecimento onde estava.
O processo tramita em sigilo em decorrência dos dispositivos legais que regem crimes de violência doméstica. Até o fechamento desta edição, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) não se manifestou oficialmente sobre os fundamentos jurídicos que sustentaram a recusa das prisões cautelares.
O Rota Norte Notícias segue monitorando as apurações policiais e os desdobramentos processuais na Comarca de Brasiléia, trazendo novas atualizações a qualquer momento.








