Em 2026, o Acre pode presenciar um marco histórico na política local: a eleição da primeira mulher governadora pelo voto popular. Mailza Assis, atual vice-governadora e ex-senadora pelo Partido Progressista, surge como um nome forte, carregando consigo a chance de quebrar um tabu que persiste desde a década de 80, quando Iolanda Lima assumiu o governo sem o crivo direto das urnas. O desafio de Mailza, porém, vai muito além da simbologia: a matemática eleitoral é um campo de batalha árido, onde sorrisos e discursos açucarados não garantem votos.
A política acreana tem seus próprios códigos, e um deles é que eleição se vence no calor do povo, não no conforto do gabinete. Para chegar lá, Mailza terá de suar a camisa, gastar sola de sapato e, literalmente, mergulhar nas águas turvas das cheias dos rios que assolam o estado a cada inverno amazônico. As ruas poeirentas das pequenas cidades, os mercados abarrotados de gente e os bairros periféricos de Rio Branco precisam sentir sua presença não como uma visita ilustre, mas como uma mulher disposta a escutar e a transformar.
Os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) jogam um dado interessante para a candidata: as mulheres são maioria no eleitorado acreano. Em 2024, eram 314.748 eleitoras, representando 51% do total de votantes no estado. Se todas votassem em mulheres, não haveria dúvidas sobre o resultado. Mas a política é um tabuleiro complexo, onde identidade de gênero nem sempre pesa mais que tradição e alianças partidárias.
O desafio de Mailza não é pequeno. Conquistar o voto da mulher acreana significa mais do que acenar para pautas femininas superficiais. É preciso tocar na ferida da desigualdade salarial, da violência doméstica, da falta de oportunidades para mães solteiras, da carência de políticas públicas voltadas para o protagonismo feminino. O Acre tem um histórico de eleger lideranças masculinas e de manter o poder político em um ciclo que pouco se renova. Romper essa barreira exigirá mais do que promessas, mas uma construção concreta de um novo caminho.
E os adversários? Esses, certamente, não estarão parados. Farão promessas mais ruidosas, terão discursos mais inflamados e andarão descalços se for preciso. A disputa será uma travessia turbulenta, e Mailza precisará mostrar que não é apenas um nome forte, mas uma candidata capaz de despertar confiança no eleitorado. Terá de mostrar serviço, não apenas fotos posadas. Comer pastel de feira? Sim. Mas, acima de tudo, mostrar que sabe cozinhar um plano de governo que convença.
O tempo dirá se Mailza Assis entrará para a história como a primeira governadora eleita do Acre ou se será apenas mais um nome na lista de candidaturas que passaram. Uma coisa, no entanto, é certa: se quiser vencer, terá de provar que política não é só sobre estar no poder, mas sobre saber conquistá-lo.








