O cenário político do Acre se desenha como um velho seringal em tempos de disputa por colocação. A seiva da ambição escorre pelos troncos dos partidos, e os caciques afiam suas facas para um embate que promete ser tão intenso quanto as lutas do passado. O ano ainda é 2025, mas as primeiras fagulhas da fogueira eleitoral de 2026 já iluminam os bastidores do poder.
O duelo se avizinha e, como sempre, a política acreana segue o velho ditado: “do pescoço para baixo é canela”. O jogo começou. Gladson Cameli, atual governador, parece ter dado a primeira estocada, exonerando cinco figuras ligadas ao senador Alan Rick, incluindo a irmã, a mãe e o cunhado do parlamentar. A mensagem foi clara: as alianças de ontem podem não valer mais amanhã. Se alguém ainda tinha dúvidas de que a disputa seria acirrada, agora já sabe que o buraco de 2026 é mais embaixo.
Alan Rick, que desfilou sem concorrência à altura em sua eleição para o Senado, agora sente o peso de uma disputa diferente. Ele lidera as pesquisas, mas, como se sabe, pesquisa não ganha eleição, e os caciques políticos já começaram a se mover. Cameli, ao cortar os laços administrativos com Alan Rick, pode ter soado o gongo para um combate que envolverá não apenas os dois, mas todo o xadrez político acreano.
Enquanto isso, Nicolau Júnior, do Progressistas, começa a despontar como um nome forte para a disputa. No tabuleiro, ele surge como a peça escolhida por aqueles que buscam um sucessor para o atual governador. Com Cameli fora da jogada, Nicolau pode ser a aposta do grupo governista para enfrentar a crescente popularidade de Alan Rick. A vice-governadora Mailza Assis corre pelas as estradas de seringa do governador.
Mas, como sempre na política acreana, não se pode esquecer das velhas raposas. O PT, que já reinou por anos no estado, busca uma nova chance de voltar ao protagonismo. Jorge Viana aparece nas pesquisas de intenções de voto, ainda distante de Alan Rick, mas nada que um bom embalo eleitoral não possa mudar. Por outro lado, o atual prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, também tem seu espaço e pode ser um fator surpresa na disputa.
O fato é que o tabuleiro ainda está sendo montado. Os acordos de hoje podem virar as traições de amanhã, e ninguém se elege no Acre sem boas costuras políticas.
O embate está apenas começando. As primeiras peças já foram movidas, e até outubro de 2026, muita água ainda passará por debaixo da ponte do Rio Acre. No final, o povo decidirá quem terá o direito de manejar os destinos do estado nos próximos quatro anos. Até lá, a poeira da estrada política continuará levantando, e os seringueiros do poder seguirão afiando seus facões. O tempo dirá quem cortará a primeira sangria.








