A prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pela Polícia Federal, e a liquidação da instituição pelo Banco Central, podem ser o gatilho para uma revelação sem precedentes sobre os bastidores do mercado financeiro brasileiro. Para o economista e ex-banqueiro Eduardo Moreira, fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), o escândalo tem potencial para ser a “maior aula da História sobre como funciona a Faria Lima”.
“Se puxar essa corda…”
Durante a edição de terça-feira (18) do programa ICL Notícias 1ª edição, Moreira foi enfático:
“Se a gente puxar essa corda, teremos a maior aula da História de como funciona a Faria Lima e o mercado financeiro.”
Segundo ele, o caso Master é apenas a ponta de um iceberg que conecta bancos, políticos, fundos de pensão e altos escalões do poder. “Todas as relações são conectadas pelo dinheiro”, afirmou, sugerindo que uma investigação profunda poderia revelar um escândalo monstruoso envolvendo governadores, ex-ministros e ministros em exercício.
Ascensão meteórica e suspeita
Ao lado do jornalista Luís Costa Pinto, Moreira detalhou a trajetória do Banco Master, que entre 2019 e 2024 viu seu patrimônio saltar de R$ 219,6 milhões para R$ 4,7 bilhões, e o lucro líquido explodir de R$ 38,5 milhões para R$ 1,068 bilhão.
“Quem já teve empresa sabe que é impossível multiplicar nesse volume. Estamos falando em 25 vezes!”
Segundo ele, o crescimento foi impulsionado por uma engenharia financeira agressiva: o banco captava dinheiro oferecendo CDBs com taxas muito acima do mercado, amparado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e comprava precatórios super depreciados para tentar equilibrar o passivo.
A lógica das apostas
Moreira comparou o papel do Banco Master no sistema financeiro ao das casas de apostas no futebol:
“Esses três bancos estão para o mundo político como as bets estão para o futebol.”
O economista afirma que o Master fazia parte de um trio de instituições que se beneficiavam de relações promíscuas com o poder, operando em zonas cinzentas onde o dinheiro circula com pouca transparência e muita influência.
O colapso anunciado
No fim de março, o BRB (Banco de Brasília) chegou a anunciar um memorando de entendimentos para adquirir o Banco Master. Foi o estopim: a operação trouxe à tona bilhões em ativos de liquidez duvidosa, e o Banco Central intensificou as investigações.
Vorcaro, que segundo Moreira “virou melhor amigo das altas esferas da sociedade”, teria montado uma rede de blindagem com assessores e aliados para se proteger do que já sabia ser uma bomba-relógio.
Uma oportunidade para o Brasil
Para Moreira, o momento é único:
“O problema no Brasil não é descobrir quem faz coisa errada. É ter os elementos que levem à punição.”
Se as investigações forem a fundo, o caso Banco Master pode deixar de ser apenas mais um escândalo financeiro — e se tornar um divisor de águas na compreensão pública sobre o funcionamento real do mercado financeiro brasileiro.
Da redação








