Imagens da câmera corporal do sargento Marcus Augusto Mendes, da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), mostram o momento em que o PM atira contra uma equipe de policiais civis, no último dia 11, durante incursão em uma comunidade do Capão Redondo, na zona sul paulistana.
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Os disparos feriram levemente o policial civil Marcos Santos de Sousa, que aparece em primeiro plano nas imagens. Ele usava colete balístico e, aparentemente, empunhava uma arma de fogo. Atrás dele, estava o agente de telecomunicações Rafael Moura, que foi ferido gravemente no peito e morreu dias depois.
A câmera corporal do sargento registrou a dinâmica da ocorrência
Rafael ficou internado em estado grave no Hospital das Clínicas, onde morreu em decorrência do tiro no dia 16. Diferentemente do colega de trabalho, o agente estava sem colete balístico ou identificação da Polícia Civil.
Fontes afirmaram ao Metrópoles que Rafael Moura não poderia integrar a equipe de policiais civis por não ser investigador. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi questionada sobre essa circunstância. Em nota enviada na tarde desta segunda-feira (21/7), a pasta afirmou que a participação do agente de telecomunicação, em uma atividade de campo, está regulamentada “dentro da estrutura interna da instituição”, como determina uma portaria da Delegacia Geral de Polícia. Sobre ele não usar colete balístico, ou identificação, a pasta não se manifestou.
Nas imagens da câmera corporal do PM da Rota, é possível verificar que, segundos após ingressar na comunidade, o sargento se depara com o investigador Marcos Santos, que usa colete à prova de balas, mas não manifesta verbalmente ser policial.
Aparentemente armado, Marcos levanta a mão direita, em uma suposta menção de apontar a arma. Atrás dele está Rafael Moura.
Em uma fração de segundo, o sargento da Rota atira, ferindo de raspão o primeiro policial civil e atingindo no peito o agente de telecomunicações.
Policial ferido grita desesperado
Logo após Rafael ser ferido no peito, a equipe que ele integrava verbaliza que são todos policiais civis. Desesperado, o próprio Rafael grita: “Eu sou polícia, caralho”. Depois disso, ele perde as forças e fica estirado no chão.
O sargento da Rota fica nitidamente abalado, gritando “polícia, polícia”, e grita para que seu parceiro acione o resgate.
Ele é xingado pelos policiais civis quando se aproxima do agente de telecomunicações para realizar o socorro pré-hospitalar.
A todo momento, o PM da Rota pede calma, enquanto os policiais civis, em desespero, gritam, xingam e choram pelo colega ferido. “Ele tomou [tiro] no peito, porra, vai tomar no cu, filha da puta, seu comédia”, grita um policial civil, que usa identificação e ostenta um fuzil.
Instantes depois, um dos agentes questiona se a câmera corporal do sargento está ligada, condição confirmada pelo PM.
Nesse instante, o policial civil Marcos Santos de Sousa percebe que foi ferido de raspão na região da cintura.
O que diz a defesa dos PMs
As defesas do sargento e do cabo Robson Santos Barreto, que também participou da ocorrência, pontuaram que os tiros dados pelo PM Marcus ocorreram “pelos seguintes motivos”:
O policial civil não verbaliza e aponta uma arma para um policial ostensivamente fardado.
É possível notar que o policial civil está sem identificação e sem colete balístico.
A tomada de decisão em atirar foi legítima, tanto que os policiais (da Rota) não foram presos em flagrante.
Além disso, as defesas alegam que todo o socorro foi realizado pela técnica APH (atendimento pré-hospitalar).
Policiais civis investigavam latrocínio no local
Em dep0imento, o policial civil Marcos Santos de Sousa – que entrou com Moura no beco e foi baleado pelo PM – disse que eles estavam ali para apurar um caso de latrocínio (roubo com morte) ocorrido na região do Campo Limpo.
Ele acrescentou que estava na região havia cerca de 20 minutos, quando entrou no beco junto a outros policiais civis. Dois investigadores ficaram na entrada da viela e todos usavam distintivos, segundo o depoimento. Marcos afirmou que Rafael foi na frente, “e que progrediram de forma diligente e cautelosa, seguindo os protocolos operacionais da Polícia Civil”.
Nas imagens, Rafael Moura não aparece com identificação da Polícia Civil.












