A eficácia do sistema de segurança pública do Acre está sob forte questionamento após a prisão do empresário Ivan Duarte Santiago, dono da Loja Campo Verde Agropecuária. Considerado um dos nomes mais bem-sucedidos do agronegócio na Região Norte, ele foi capturado no último sábado durante a 13ª Rondônia Rural Show Internacional, em Ji-Paraná (RO). O que chama a atenção no caso não é apenas a prisão, mas o fato de o suspeito viver uma rotina normal e de grande visibilidade no Acre, mesmo estando foragido da Justiça.
Santiago mantinha residência fixa e conhecida em Acrelândia (AC), onde atuava na representação de grandes marcas de maquinários, insumos e equipamentos agrícolas. Contra ele, havia uma ordem de prisão emitida pela 2ª Vara Criminal de Rio Branco, estipulando uma pena de nove anos de reclusão em regime fechado pelo crime de tráfico de drogas.
As perguntas que ficam para as autoridades do Acre
A facilidade com que o empresário transitava pelo setor comercial e social da região levanta suspeitas e pontos críticos sobre a atuação das forças de segurança locais:
Moradia e negócios públicos: Como um condenado com mandado de prisão em aberto conseguia gerenciar publicamente uma das maiores empresas do setor e residir no mesmo local sem ser descoberto?
Ausência de fiscalização: O que impediu a polícia do Acre de cumprir a ordem judicial contra uma figura pública que frequentava constantemente ambientes de grande circulação?
Influência ou falha de sistema? A quase uma década de liberdade do empresário se deve a uma grave falta de comunicação entre as polícias ou ao peso do seu poder econômico no estado?
O flagrante e os próximos passos
A liberdade de Ivan terminou graças à tecnologia de monitoramento de Rondônia. Operadores do circuito de segurança do Parque Tecnológico Vandecir Rack o identificaram por meio do sistema de reconhecimento facial enquanto ele passeava pela feira internacional.
Após a abordagem e a confirmação de sua identidade, o empresário foi detido, passou por exames periciais de corpo de delito e foi transferido para o sistema prisional rondoniense. Ele agora aguarda os trâmites do Judiciário para ser recambiado ao Acre, onde deverá cumprir a pena de nove anos.








