Um delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS), cuja identidade não foi revelada, é, segundo a Polícia Federal (PF), um dos servidores das forças de segurança que apoiavam o grupo ultraviolento ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC), alvo de operação nesta quarta-feira (4/11).
Alvo da ação policial batizada de Ifrit, ele é suspeito de usar o cargo para desviar drogas apreendidas em ocorrências policiais e repassá-las aos criminosos. O delegado figura no centro de uma investigação que apura o desvio de duas toneladas de cocaína apreendidas, avaliadas em aproximadamente R$ 15 milhões.
De acordo com os levantamentos feitos pela corporação, a droga desviada era substituída por cocaína adulterada antes de ser encaminhada para destruição. O grupo então ficava com o entorpecente original, que era comercializado internacionalmente.
Há indícios de que a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 500 milhões em dois anos.
À frente da engrenagem criminosa estaria uma família, composta por três irmãs, seus filhos e outros parentes.
Segundo as investigações, a organização utilizava armamento, estruturas de apoio e veículos blindados para exercer controle territorial e intimidar rivais.
A PF apontou que o grupo atuava principalmente na região de fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, com ramificações em outros estados brasileiros.
As investigações identificaram que drogas e armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai, abastecendo redes de distribuição no Brasil e rotas de tráfico de entorpecentes destinadas à Europa, especialmente à Espanha e a Portugal.
A operação
Ao todo, foram cumpridos 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária, além de três medidas de monitoração eletrônica e do afastamento de três policiais civis de suas funções públicas.







