Um grave caso de violação dos direitos humanos e trabalhistas foi denunciado contra a empresa Tayna Alimentos, pertencente ao Grupo Queiroz — conglomerado empresarial controlado por Otoniel Barros de Queiroz. Segundo obtido com exclusividade pelo CM7 Brasil nesta sexta-feira (6/6) o relato de E.J, jovem venezuelano atualmente com 17 anos, ele foi submetido a trabalho escravo a partir dos 14 anos, em condições degradantes, humilhantes e sob forte coação psicológica.
A vítima chegou ao Brasil com a família em situação de extrema vulnerabilidade, como milhares de refugiados da crise humanitária na Venezuela. Em busca de abrigo, os seis membros da família foram alojados em um galpão antigo cedido pela Tayna Alimentos, anexo às instalações da empresa. No entanto, o que parecia um gesto de acolhimento revelou-se um mecanismo cruel de exploração.
Segundo o garoto, a moradia gratuita era usada como moeda de troca. O empresário Otoniel Queiroz teria imposto ao adolescente jornadas exaustivas, das 7h da manhã até às 22h — muitas vezes ultrapassando 24 horas de trabalho contínuo — cortando bananas com facão e machadinha, sem carteira assinada, descanso ou remuneração adequada. A justificativa? “Vocês moram aqui de graça, precisam compensar com trabalho”, teria dito Otoniel.
A rotina abusiva tirou mais do que a infância do adolescente: arrancou-lhe também o direito à educação. Com a carga de trabalho insustentável, ele passou a faltar às aulas com frequência e acabou reprovado por faltas. “Não era uma escolha, era uma imposição. Se eu não trabalhasse, minha família seria posta na rua”, declarou o jovem.
Após oito meses de trabalho forçado, o garoto foi demitido sem justificativa e sem qualquer tipo de indenização. No entanto, a história de exploração não terminou ali.
Aos 16 anos, a vítima foi novamente convocada para trabalhar no Grupo Queiroz, agora na produção e entrega de farinha para estabelecimentos da empresa. As condições continuaram degradantes: jornadas de até 15 horas diárias, salários frequentemente descontados por “atrasos” ou “faltas”, ausência total de direitos trabalhistas e uma rotina de humilhações verbais — muitas delas proferidas pelo próprio Otoniel, segundo o relato do jovem.
Quando o adolescente buscou ajuda para garantir seus direitos, a represália veio rápida: foi novamente dispensado, e a família recebeu um ultimato para deixar a propriedade onde viviam, em clara tentativa de intimidação.
A Tayna Alimentos é administrada pelo Sr. Otoniel Barros de Queiroz e pertence ao Grupo Queiroz, cuja holding é a Ott Participações, na qual a própria filha de Otoniel figura como sócia. A denúncia coloca sob suspeita a estrutura e a conduta corporativa de todo o grupo, que pode estar operando sob práticas sistemáticas de exploração de imigrantes, incluindo menores de idade.

O caso do jovem escancara as múltiplas vulnerabilidades enfrentadas por imigrantes em solo brasileiro — sobretudo crianças e adolescentes. Trata-se de uma violação gravíssima ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, como a Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU e os tratados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A denúncia agora está sendo encaminhada a órgãos competentes para investigação, incluindo o Ministério Público do Trabalho, o Conselho Tutelar e a Defensoria Pública.
Imagens: Tassio Pierre/ CM7 BRASIL








