O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mesmo inelegível, sinalizou hoje em Brasília uma estratégia audaciosa para as eleições de 2026: conquistar a maioria das cadeiras no Senado Federal e, assim, exercer um poder superior ao do próprio Presidente da República.
A declaração foi feita durante um evento do PL Mulher, com uma plateia majoritariamente feminina.
Em um discurso contundente, Bolsonaro afirmou que, com um Senado dominado por seus aliados, haveria um controle direto sobre indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) e sobre os quadros das agências reguladoras, garantindo a presença de “pessoas qualificadas”.
“Ouso dizer: mandaremos mais que o próprio Presidente da República. Deus tem me mostrado caminhos para mudarmos o destino do Brasil”, enfatizou o ex-presidente, delineando um cenário de forte embate institucional.
Apesar da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o impede de disputar o próximo pleito, Bolsonaro mantém-se como a principal figura da oposição e articulador da direita. Sua meta é influenciar diretamente a formação das bancadas legislativas, lançando candidatos ao Senado que compartilhem de seu alinhamento ideológico e demonstrem lealdade pessoal.
A estratégia visa ampliar significativamente a presença do bolsonarismo na Câmara Alta, onde 54 cadeiras – um terço do total – estarão em disputa. Para Bolsonaro, essa movimentação é crucial para impulsionar pautas consideradas essenciais para sua base, como o controle sobre nomeações para o STF e a possibilidade de apresentar pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
A fala de Bolsonaro ocorre em um momento de crescente tensão entre o Congresso e o Judiciário, evidenciando uma ofensiva política que mira diretamente o STF. O ex-presidente também mencionou que, caso não possa concorrer, apoiará pessoalmente candidatos de seu núcleo familiar ou aliados próximos.
O discurso de hoje reforça a determinação de Bolsonaro em manter sua influência política ativa, mesmo fora do poder. A tática é clara: utilizar o Senado como ferramenta para frear agendas do Executivo e contrabalançar decisões do Judiciário, solidificando a narrativa de que o Senado deve atuar como uma barreira às “interferências” do STF.








