A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, foi executada a tiros na noite da última segunda-feira (2) enquanto estava em uma mesa na calçada do Renato Gastro Bar, em Brasiléia (AC). Minutos antes do crime, ela acionou o dispositivo de emergência (“botão do pânico”) ao notar que o advogado Francisco Valadares Neto, contra quem possuía medida protetiva, rondava o local repetidas vezes. Contudo, nenhuma guarnição foi deslocada: os responsáveis pelo monitoramento apenas ligaram de volta informando que entrariam em contato telefônico com o investigado para solicitar que ele se afastasse.
Segundo relatos colhidos no local com amigos da vítima que testemunharam o ataque, a médica havia confidenciado pouco antes que vinha sendo ameaçada pelo advogado e desabafou dizendo que “de hoje não passava”. Consultas ao sistema policial revelaram dois boletins de ocorrência recentes registrados pela profissional contra Francisco Valadares por ameaça e descumprimento de ordem judicial, datados de 25 de agosto e 11 de setembro de 2026. O processo corre em segredo de justiça.
Espionagem e disparos à queima-roupa
Pouco antes da execução, as testemunhas avistaram um homem em uma motocicleta vermelha estacionado na esquina, aparentemente fotografando as pessoas reunidas à mesa.
Imagens das câmeras do estabelecimento mostram a médica sentada de costas para a rua. Um homem trajando blusa azul de mangas compridas, calça bege e capacete preto com um boné vermelho virado para trás aproximou-se a pé, sacou uma arma e atirou duas vezes contra a parte de trás da cabeça de Elyne. Ela morreu na hora.
Ao chegarem ao local, os policiais constataram que a vítima já não apresentava sinais vitais. O socorro médico não pôde comparecer de imediato: o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) informou que não possuía ambulâncias disponíveis no município no momento, e as equipes do Corpo de Bombeiros estavam empenhadas em outro atendimento.
Confronto e fuga do atirador na mata
Durante diligências para capturar o autor dos disparos, o setor de inteligência da Polícia Militar localizou um homem com as mesmas características do atirador pilotando uma motocicleta Kingo no bairro Ferreira Silva, nas proximidades da Escola Socorro Frota.
Ao perceber a aproximação dos policiais, o suspeito tentou fugir, abandonou o veículo e continuou a fuga a pé. Os agentes o identificaram como Lucivaldo Lopes de Souza, conhecido pela alcunha de “Pitaca”. Armado, ele efetuou disparos contra a equipe policial, que revidou. O homem conseguiu escapar ao entrar em uma área de vegetação densa.
A motocicleta foi apreendida e encaminhada à Delegacia de Polícia Civil, que conduz o inquérito para localizar o foragido e apurar a conexão entre o atirador e os mandantes do crime.










