Quando o prefeito Tião Bocalom assumiu a cadeira de Rio Branco, parecia que o futuro da cidade se desenharia entre árvores, parques verdes e um ar mais puro. Sua promessa de criar o “IPTU Verde” foi recebida como uma brisa fresca num cenário onde a urbanização desmedida e o concreto engoliam tudo ao redor.
O projeto, descrito como uma ação revolucionária, visava conceder descontos no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para quem plantasse árvores nas calçadas ou investisse em soluções sustentáveis no quintal de casa. Uma ideia inovadora que despertou esperança nos corações dos amantes da natureza e até mesmo nos céticos, que por um momento imaginaram que o governo realmente traria algo de novo para o município.
Mas, como toda boa promessa de político em período eleitoral, a realidade se distorceu mais rapidamente do que um céu nublado do Acre. O tão esperado IPTU Verde, na verdade, se tornou uma das maiores obras de ficção da administração Bocalom, um conto de fadas onde os descontos fiscais prometidos nunca saíram do papel.
O que aconteceu com a proposta que parecia transformar Rio Branco numa cidade mais verde, cheia de árvores frondosas e cidadãos orgulhosos de sua contribuição ambiental? Simples: ela sumiu. Desapareceu nas brumas de um estudo interminável, enrolada nas tramas de uma burocracia que, ao invés de dar passos firmes, caminha mais lentamente do que o crescimento das árvores plantadas no papel. A justificativa? “Estamos em fase de estudos.” Aquelas palavras, tão comuns no vocabulário político, ecoam como uma música de fundo triste enquanto as calçadas permanecem áridas e a cidade respira poluição.
O tal desconto que viria para quem se empenhasse na arborização continua esperando uma definição. Uma promessa que virou ilusão.
Nada mais típico. No lugar de um IPTU Verde, temos o “IPTU Embromeixo”. O prefeito, em sua tentativa de parecer ecologicamente correto, se vê engolido pela própria retórica. Não há prazo para execução, não há sinal de ação concreta, só um vago “em estudos” que mais parece uma desculpa para adiar indefinidamente qualquer mudança real.
O que deveria ser uma parceria entre a prefeitura e os cidadãos para criar uma cidade mais verde virou um eterno projeto em construção, mas que nunca deixa o papel.
O problema, no entanto, não está apenas nas promessas não cumpridas. O problema está no fato de que, enquanto o “IPTU Verde” está atolado nos estudos, a cidade segue as mesmas ruas escuras, abafadas e sem árvores.
A população, que acreditou na proposta, se sente não só enganada, mas também impotente diante de um poder público que se esquiva de suas responsabilidades. Afinal, como cobrar por algo que nunca foi realmente entregue?
A crítica aqui não é apenas ao descaso de um projeto que poderia ser maravilhoso, mas a falsa esperança que Bocalom vendeu para os rio-branquenses. Prometer algo tão urgente quanto o cuidado ambiental e depois enterrar a ideia na burocracia, esperando que o tempo passe e o povo se esqueça, é, no mínimo, uma atitude de total desrespeito. Rio Branco precisa de ações concretas, de algo mais que palavras bonitas em promessas vazias.
O IPTU Verde, ao invés de ser uma medida de incentivo para a sustentabilidade, se tornou uma piada sem graça, uma piada que já não tem mais graça para quem ouviu e esperou. Para os cidadãos de Rio Branco, a verdadeira árvore que precisa ser plantada é a de compromisso e seriedade com as promessas feitas. E, se depender da administração atual, essa árvore será eternamente um broto que nunca vingou.








