O Acre apresentou avanço na área plantada ao longo do último ano, com crescimento de 5,6%, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento integra o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), com estimativas referentes a março.

No cenário nacional, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas deve atingir 204.246 toneladas em 2026. O volume representa aumento de 9,2% em comparação a 2025, quando foram registradas 186.972 toneladas. Dentro da região Norte, o desempenho acreano figura entre os destaques, ficando atrás apenas do Amapá.
A ampliação da área cultivada acompanha esse movimento. Em um ano, o total passou de 62.804 hectares para 66.325 hectares, crescimento acima da média brasileira e um dos mais expressivos da região.
Produção em alta e pressão ambiental sob controle
Mesmo com a expansão da atividade agrícola, os indicadores ambientais apontam redução no desmatamento. Informações do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o estado superou em 43% a meta estabelecida para 2025 no Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDQ).

Os dados consideram o período entre agosto de 2024 e julho de 2025 e indicam uma tendência de desaceleração da derrubada de áreas florestais.
Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, os resultados refletem uma estratégia baseada na conciliação entre crescimento econômico e preservação. Segundo ele, o aumento da produção rural não impediu a redução de impactos ambientais, incluindo a queda nos focos de incêndio.
A discussão sobre esse equilíbrio voltou à pauta nesta semana, quando órgãos ambientais do estado se reuniram para alinhar novas ações e metas. A proposta é manter o avanço da produção aliado à sustentabilidade.
Desafio de manter o equilíbrio
De acordo com Carvalho, o principal desafio agora é garantir continuidade a esse modelo. Ele destaca que a população demanda qualidade ambiental — como ar limpo, água e redução da poluição — ao mesmo tempo em que depende da atividade produtiva.
Nesse contexto, o diálogo entre as áreas de meio ambiente e produção rural é apontado como essencial para sustentar os resultados alcançados.
Crescimento impulsionado pelo campo
Na avaliação da Secretaria de Agricultura, o desempenho positivo é resultado de um esforço conjunto que envolve produtores, políticas públicas e apoio técnico.
A secretária Temyllis Silva ressalta que, apesar das dificuldades climáticas, os produtores têm conseguido manter e ampliar a produção com suporte em assistência técnica, mecanização e acesso a insumos.
Ela também observa que o estado tem se destacado no cenário nacional, com índices superiores à média brasileira, o que aumenta o interesse de investidores no setor agropecuário local.
Principais culturas
Entre os produtos com maior volume de produção no Acre estão:
- Mandioca: 501.922 toneladas
- Milho: 137.689 toneladas
- Banana: 87.352 toneladas
- Soja: 59.724 toneladas
- Cana-de-açúcar: 10.289 toneladas
- Café: 6.969 toneladas
- Laranja: 5.228 toneladas
- Arroz: 4.052 toneladas
- Feijão: 2.769 toneladas
- Fumo: 120 toneladas

Nova estratégia de fiscalização
A política ambiental do estado ganhou reforço com a criação do Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (SIMAMC), instituído por lei no fim de 2025. A proposta é integrar diferentes órgãos e forças de segurança, ampliando a eficiência das ações.
Dentro desse novo modelo, foi lançada a Operação Amburana, que atua diretamente no combate ao desmatamento. A iniciativa reúne equipes da Secretaria de Meio Ambiente, do Batalhão de Polícia Ambiental, do Centro Integrado de Operações Aéreas e do Instituto de Meio Ambiente do Acre.
Na fase inicial, as equipes atuam em 242 áreas com alertas de desmatamento, distribuídas em cinco regiões consideradas estratégicas — muitas delas de difícil acesso.
A operação mobiliza cerca de 30 agentes, além de aeronaves e viaturas, e utiliza dados de monitoramento por satélite, denúncias da população e informações do Ministério Público para direcionar as ações.








