O relógio corre contra a Anvisa e a União. Termina hoje o prazo fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que os órgãos decidam: regulamentar ou proibir, de uma vez por todas, o cultivo de cânhamo (cannabis sativa) para fins medicinais no país.
Um mercado bilionário em jogo
A decisão não é pequena. Segundo estudo do Instituto Escolhas, divulgado em junho, o mercado brasileiro de medicamentos à base de cannabis deve alcançar R$ 1 bilhão em faturamento já em 2025. E as projeções são ainda mais ambiciosas: até 2030, o setor pode sextuplicar de tamanho, transformando-se em uma das frentes mais lucrativas da indústria farmacêutica nacional.
O impasse da planta
Cânhamo e maconha são a mesma planta. O que muda é a concentração de THC, o composto psicoativo. Para ser considerado cânhamo, o índice de THC deve variar entre 0,3% e 0,5% — quantidade insuficiente para causar efeito alucinógeno, mas útil na produção de medicamentos, fibras e óleos.
É justamente nessa linha tênue que está a hesitação da Anvisa: aprovar pesquisas e cultivo da variedade medicinal ou fechar a porta de vez.
Expectativa e pressão
Enquanto o prazo se esgota, cresce a pressão de pacientes, famílias e especialistas em saúde, que veem na regulamentação uma chance de acesso mais barato e seguro a tratamentos. Do outro lado, setores mais conservadores temem a abertura de um precedente que, para eles, pode confundir cânhamo com maconha recreativa.
Hoje, a caneta do STJ não vai apenas encerrar um processo judicial — pode também abrir um novo capítulo na política de saúde e no mercado farmacêutico brasileiro.
Da redação








