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Turista gaúcha denuncia ter sofrido abuso sexual enquanto participava de festival indígena no Acre

Vítima relatou que homem invadiu a barraca onde ela dormia com a filha de 9 anos durante o Festival Mariri Yawanawa, em Tarauacá. Mulher registrou boletim de ocorrência. Organização diz que suspeito é de outra aldeia.

Rota Norte Notícias Por Rota Norte Notícias
Fonte: G1 Acre
15/09/2026
em Polícia
Turista gaúcha denuncia ter sofrido abuso sexual enquanto participava de festival indígena no Acre

A Polícia Civil do Acre investiga uma denúncia de abuso sexual contra uma turista do Rio Grande do Sul, de 31 anos. A vítima relatou que uma homem invandiu a barraca onde ela dormia com a filha de 9 anos durante o Festival Mariri Yawanawa, que ocorreu na Terra Indígena Rio Gregório, em Tarauacá, no interior, entre 26 e 31 de agosto.

Segundo o depoimento da vítima, que o g1 teve acesso, o caso ocorreu na madrugada do último dia do festival, quando o suspeito entrou na barraca e passou as mãos no corpo da mulher. No dia seguinte, a vítima deixou a terra indígena e foi para Cruzeiro do Sul, onde registrou a ocorrência.

Em nota, a Associação Sociocultural Yawanawá (ASCY), responsável pelo festival, afirmou repudiar o episódio e manifestou solidariedade à vítima. A entidade informou também que o homem apontado no relato possui ascendência familiar materna Yawanawá e paterna Arara, mas não integra o povo Yawanawá, nem a equipe do festival ou a Aldeia Yawarani, onde o evento ocorreu. Segundo a associação, ele estava no local como visitante de outra aldeia.

O g1 tentou contato com a vítima, mas não conseguiu retorno até a última atualização desta reportagem.

O delegado José Ronério, responsável pelo caso, informou que a Polícia Civil deve ouvir testemunhas e fazer outras diligências para identificar o suspeito.

“Vamos iniciar as oitivas com as testemunhas e os procedimentos cabíveis para esse caso. No depoimento, ela menciona uma pessoa, mas não identificamos ainda, estamos nas diligências para identificar quem é ele”, afirmou.

 

Segundo o delegado, embora o boletim de ocorrência tenha sido registrado em Cruzeiro do Sul, a investigação deve ficar sob responsabilidade de Tarauacá, município onde o fato ocorreu.

Depoimento

 

De acordo com o relato registrado, a mulher contou que acordou com um homem passando a mão em seu corpo. Ela afirmou que o suspeito tocou suas partes íntimas.

A vítima disse ainda que o homem precisou passar pela filha dela, que estava deitada na mesma barraca, para chegar onde estava deitada. Por isso, segundo o depoimento, ela levantou a suspeita de que a criança também pudesse ter sido tocada.

A mulher contou que perguntou à filha se o homem havia passado a mão nela. A menina falou que não sabia informar porque havia acordado com os gritos da mãe. A vítima afirmou à polícia que acreditava que o alvo do suspeito era ela e não a filha.

Ainda conforme o depoimento, o suspeito fugiu e deixou um celular dentro da barraca. A vítima relatou que, em estado de choque, fechou a barraca e permaneceu no local com a filha.

Minutos depois, conforme ela, o homem voltou à procura do aparelho. A mulher saiu da barraca, gritou e exigiu que ele fosse embora. O suspeito fugiu novamente quando outros visitantes se aproximaram.

Segundo a turista, pessoas que faziam a segurança do evento conseguiram deter o homem inicialmente, mas o liberaram pouco depois. Ela disse que essas pessoas afirmaram ser policiais, mas que não soube informar se realmente eram agentes de segurança pública ou seguranças particulares.

Pressão

 

Ainda no depoimento, a vítima também relatou ter sofrido pressão para não registrar a ocorrência. De acordo com ela, houve uma abordagem considerada hostil por parte do cacique da aldeia e tentativas de integrantes da organização do evento para convencê-la a não denunciar o caso.

A vítima afirmou que permaneceu no local durante todo o dia, com medo de que algo pudesse acontecer com ela até seguir para Cruzeiro do Sul.

A turista também informou à polícia que não faria exame de corpo de delito e que também não permitiria que a filha passasse pelo exame por considerar que isso seria um constrangimento para a criança.

Festival Mariri

 

O Festival Mariri é uma das principais celebrações do Povo Yawanawá no Acre e reúne visitantes de diferentes regiões do Brasil e de outros países. A festividade ocorre anualmente e é marcada por cânticos, danças, rezas e manifestações culturais e espirituais da comunidade.

Durante o evento, os visitantes participam de atividades ligadas à cultura e às tradições do povo indígena. A programação também costuma atrair centenas de turistas para as aldeias durante os dias de celebração.

Na edição de 2023, o festival chegou a reunir quase 2 mil pessoas. Naquele ano, a programação ocorreu entre 1º e 7 de setembro, na Aldeia Mutum, às margens do Rio Gregório.

Nota completa Associação Sociocultural Yawanawá (ASCY)

 

O Povo Yawanawá e a Associação Sociocultural Yawanawá (ASCY) vêm a público manifestar seu mais profundo e veemente repúdio ao lamentável fato ocorrido durante a realização do Festival Mariri.

Lamentamos e repudiamos o grave ato de assédio e abuso sexual sofrido por uma de nossas visitantes, uma violação inaceitável de seu corpo e de sua integridade. Esclarecemos que o autor do fato possui ascendência familiar materna Yawanawá e paterna Arara, porém não integra o Povo Yawanawá, a comissão organizadora, a equipe do festival ou a Aldeia Yawarani, onde foi realizado o evento. Sua presença no local ocorreu exclusivamente na condição de visitante de outra aldeia.

Fazemos essa distinção de forma pública e necessária para que não haja qualquer associação entre a conduta individual praticada e os povos, comunidades ou culturas aos quais pertencem seus familiares. A responsabilidade por qualquer ato de violência é individual e jamais deve ser atribuída coletivamente a um povo indígena ou à sua cultura.

Reforçamos de forma categórica: a violência contra a mulher não faz parte da cultura Yawanawá, não integra nossos modos de vida e jamais será tolerada em nosso território. O Povo Yawanawá cultiva o respeito, a proteção e a dignidade como pilares ancestrais inegociáveis.

Expressamos nossa total e irrestrita solidariedade à vítima. Unimo-nos a ela em sororidade e acolhimento, reafirmando nosso compromisso inabalável com o empoderamento feminino, a segurança das mulheres e a construção de espaços onde todas possam se sentir protegidas, ouvidas e respeitadas.

A Associação Sociocultural Yawanawá (ASCY) coloca-se inteiramente à disposição para prestar todo o amparo necessário à vítima e informa que está à disposição para adotar e colaborar com todas as medidas legais, administrativas e cabíveis para que os fatos sejam rigorosamente apurados e os responsáveis, devidamente responsabilizados.

Mariri Yawanawa/Terra Indígena Yawanawá

A PM do Acre disponibiliza os seguintes números para denunciar casos de violência contra a mulher:

 

  • (68) 99609-3901
  • (68) 99611-3224
  • (68) 99610-4372
  • (68) 99614-2935

 

Veja outras formas de denunciar:

  • Polícia Militar – 190: quando a criança está correndo risco imediato;
  • Samu – 192: para pedidos de socorro urgentes;
  • Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
  • Qualquer delegacia de polícia;
  • Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel.
  • Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
  • Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
  • WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008;
  • Ministério Público;
  • Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
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