As duas vítimas fatais do atentado a Escola São José, ocorrido na tarde desta terça-feira,05 em Rio Brancoe o ato de heroísmo foram identificadas como:
Raquel Sales Feitosa (36 anos) e Alzenir Pereira da Silva (53 anos), ambas eram inspetoras e contratadas de uma empresa tercerizada.
Segundo relatos de testemunhas e funcionários, as duas mulheres agiram como barreiras humanas. Ao perceberem que o adolescente de 13 anos estava armado, elas tentaram impedir que ele acessasse o corredor principal, onde se localizam as salas de aula repletas de alunos. Foi nesse momento que o jovem iniciou o tiroteio, atingindo-as fatalmente.
”Essa tragédia teria muitas outras vítimas caso elas não tivessem tentado evitar o acesso dele ao corredor das salas”, afirmou um funcionário que presenciou o pânico.
A origem da arma e a responsabilidade legal
A pistola utilizada, uma calibre .380, pertence ao padrasto do menor, o advogado Ruan Amorim. Segundo informações, além da arma, o adolescente portava três carregadores e munições extras.
O advogado foi conduzido à Delegacia Central de Flagrantes (DEFLA) para prestar esclarecimentos. A polícia investiga a omissão de cautela, uma vez que o proprietário de armas de fogo tem o dever legal de guardá-las em local seguro, longe do alcance de menores e pessoas sem instrução.
Imediatamente após a repercussão do caso, Ruan Amorim desativou suas redes sociais.
A rendição e o comportamento do adolescente
Após o ataque, o jovem apresentou um comportamento que surpreendeu as autoridades pela ausência de carga emocional:
Ele largou a pistola e os carregadores no chão da escola e caminhou cerca de 100 metros até o Quartel Geral da Polícia Militar , onde confessou o crime.
Policiais que realizaram o atendimento inicial descreveram o menor como “extremamente frio”. Segundo os agentes, ele não demonstrou arrependimento e, após uma breve tentativa de se colocar como vítima, optou pelo silêncio.
Linhas de investigação: motivação e influência externa
A Polícia Civil trabalha com diversas frentes para entender o que motivou o crime:
Inicialmente o menor alegou ser vítima de Bullying: O estudante mencionou genericamente que sofria perseguições por parte de outros alunos, mas não forneceu nomes ou episódios específicos que justificassem o planejamento do ataque.
Ambiente Digital: Investigadores analisam o celular e o computador do jovem em busca de participação em grupos de WhatsApp ou fóruns que incentivam ataques a escolas (comumente encontrados na Deep Web ou em comunidades de jogos).
Influência de jogos: A possível conexão com jogos eletrônicos violentos também está sendo apurada, visando identificar se houve um processo de radicalização online.
Implicações criminais
O Menor: Responderá por ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a medida máxima é a internação por até três anos.
O Padrasto: Pode responder criminalmente pela negligência na guarda da arma, além de possíveis sanções administrativas junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).








