O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) colocou em prática um plano intensivo de vigilância fitossanitária após confirmar os primeiros casos de cancro cítrico no estado. Os focos foram detectados em pomares comerciais de limão e laranja nos municípios de Brasileia e Epitaciolândia, na regional do Alto Acre.
A presença da bactéria Xanthomonas citri subsp. citri foi comprovada por laudos laboratoriais após amostras serem coletadas em campo pela equipe de Defesa Sanitária Vegetal. Relatos colhidos junto a produtores locais indicam que a doença pode ter ingressado na região por meio de mudas clandestinas oriundas de São Paulo. O órgão abriu uma investigação epidemiológica para rastrear com precisão as rotas de entrada e os vetores de dispersão do patógeno.
Impactos e dinâmica da praga
O cancro cítrico é uma das ameaças mais severas à citricultura mundial, atacando laranjeiras, tangerineiras e limoeiros. A infecção manifesta-se por meio de lesões necróticas em folhas, ramos e cascas dos frutos, o que reduz drasticamente o rendimento da safra e inviabiliza a venda comercial da produção.
A propagação da bactéria ocorre principalmente pelo trânsito de material vegetal contaminado (sobretudo mudas e borbulhas sem certificação), além do arraste de partículas infecciosas pela chuva e vento, agravado por manejos agrícolas inadequados. Os protocolos de contenção, delimitação e erradicação seguem as diretrizes da Instrução Normativa nº 21/2018 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Monitoramento e ação no campo
A identificação inicial partiu do monitoramento de rotina do Programa Estadual de Sanidade Citrícola (Pesc), que encerrou 2025 com 275 propriedades cadastradas no Acre.
Darison Alencar, coordenador de Defesa Vegetal do Alto Acre, detalha o processo de triagem:
Por meio do cadastro das propriedades, conseguimos acompanhar de perto as áreas produtivas. Foi nesse trabalho de campo que encontramos sintomas suspeitos em frutos de limão-taiti em Brasileia. Procedemos com coletas adicionais e as análises confirmaram a bactéria. O Mapa já foi formalmente notificado para que adotemos, em conjunto, as medidas legais cabíveis.”
Alerta aos citricultores
O Idaf reforça que os produtores devem adquirir material de propagação exclusivamente de viveiros registrados no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), sempre acompanhados de Termo de Conformidade e Permissão de Trânsito Vegetal (PTV).
A coordenadora do Pesc, Ana Cláudia D’Abadia, ressalta a necessidade de colaboração mútua entre setor produtivo e poder público:
A rapidez no diagnóstico é indispensável para evitar que a praga avance para novos polos agrícolas. Pedimos aos produtores que notifiquem imediatamente o Idaf ao notarem qualquer anomalia foliar ou nos frutos. Preservar a sanidade da citricultura do Acre é garantir o sustento de centenas de famílias rurais.”









