O caso do jornalista Williamis França, pode ganhar contornos ainda mais surpreendentes. Preso nesta terça-feira (25), ao tentar registrar um boletim de ocorrência, e libertado na quarta-feira (26) por decisão da Justiça de Rondônia, o jornalista agora tem sua identidade colocada em xeque pela própria defesa.
Segundo o advogado Sanderson Moura, que assumiu a defesa de Williamis, disse que seu cliente nunca foi uma pessoa envolvida no processo de tráfico de drogas. “Há a possibilidade real de que alguém tenha se passado por ele , usando documentação dele, e tenha sido identificado erroneamente no processo”, afirmou Moura.
A tese levantada pelo advogado baseia-se em um ponto-chave: a ausência de elementos comprobatórios básicos de identidade no processo original. “Não tem digital, não tem fotografia, não tem nada dele. Apenas um depoimento apresentado. Então pode sim ter descoberto um erro grave, uma má identificação ou até mesmo uma fraude, com alguém se ocultando atrás da identidade do meu cliente”, declarou.
Moura foi além e questionou também a fragilidade das provas.
“Mesmo se partirmos da suposição de que fosse ele, o processo é extremamente inconsistente. Não há provas materiais, não há testemunhas. O único depoimento é da própria pessoa que teria se passado por ele. E mais: ele seria a principal testemunha contra um suposto membro do tráfico que acabou absolvido. O processo colapsa em si.”
Outro ponto levantado pela defesa é a possibilidade de prescrição penal, devido ao tempo transcorrido desde o suposto crime. “São mais de duas décadas. Temos aí três frentes fortes: erro de identificação, ausência de provas e prescrição. Difícil que alguma delas não seja acatada pela Justiça”, concluiu Moura, confiante de que a verdade veio à tona.
Enquanto a defesa trabalha para anular o processo por completo, Williamis França permanece em liberdade, sob os holofotes de um caso que mistura crime, identidade, jornalismo e uma possível reviravolta digna de um thriller jurídico.
A pergunta que ecoa no ar é uma só: afinal, quem foi o homem que assinou aquele depoimento em 2001?








