A técnica de enfermagem implicada no caso da recém-nascida Aurora Maria, que sofreu queimaduras após um banho na maternidade, afirmou estar recebendo ameaças de organizações criminosas. A denúncia foi feita durante interrogatório na Delegacia de Atendimento à Mulher e Proteção à Criança e ao Adolescente (DEMPCA) na última sexta-feira, dia 27.
O delegado Vinícius Almeida, responsável pela investigação do caso de Aurora, esclareceu que as alegações de ameaça à técnica deverão ser investigadas pela Delegacia Geral da cidade. A profissional, por sua vez, nega que a temperatura da água estivesse elevada, afirmando ter testado a água no próprio pulso antes do banho.
Nascida saudável em 21 de junho, Aurora Maria Oliveira Mesquita, que completou sete dias de vida, teve um agravamento em seu quadro de saúde. No último sábado, dia 28, a bebê sofreu uma parada cardiorrespiratória no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte (MG), unidade especializada em queimaduras.
De acordo com Marcos Oliveira, pai da criança, Aurora ficou 39 minutos sem batimentos cardíacos e precisou ser reanimada pela equipe médica. A parada pode ter sido causada por um acúmulo de líquidos próximo ao coração, possivelmente relacionado ao acesso venoso que a bebê utiliza.
Aurora foi sedada novamente para permitir o descanso cerebral e a realização de exames. Dada a longa duração do episódio, há preocupações com possíveis sequelas, mas a família mantém a fé e a esperança na recuperação da filha.
O incidente que causou as queimaduras em Aurora ocorreu em 22 de junho, um dia após seu nascimento. Segundo os pais, a bebê estava saudável e havia recebido alta, sem qualquer sinal de complicação. No entanto, após um banho, eles notaram sinais de queimadura, principalmente nas pernas e pés da recém-nascida.
A família relata que a água estava excessivamente quente, provocando dor intensa e choro contínuo na bebê.
Inicialmente, profissionais do hospital minimizavam a situação, sugerindo tratar-se de uma secreção natural. Contudo, o surgimento de sangramentos e descamação da pele levou os pais a procurarem atendimento emergencial. A técnica de enfermagem envolvida foi preventivamente afastada de suas funções, e um processo administrativo disciplinar (PAD) foi instaurado para apurar os fatos.
A família de Aurora, ciente das supostas ameaças à técnica, fez questão de se manifestar publicamente. Em nota, eles declararam: “Queremos deixar claro que repudiamos toda e qualquer forma de violência. Nós, familiares, nunca incentivamos ou compactuamos com ameaças, ofensas ou retaliações. A nossa luta é e sempre foi por justiça verdadeira, feita com responsabilidade, empatia e dentro da lei”.
Os pais reforçam que seu foco principal é a recuperação da filha, a quem chamam de “um milagre de força e vida”. Eles finalizam a nota com um apelo por “orações, respeito e que a justiça seja feita da forma certa”.








