Uma reviravolta nas apurações sobre o assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, trouxe detalhes sobre a mecânica financeira e a rede de contatos mobilizada para cometer o homicídio no interior do Acre. Conforme esclarecido pelo delegado Alex Dany em entrevista coletiva no município de Epitaciolândia, o advogado e ex-procurador municipal Francisco Valadares Neto teria acertado o valor de R$ 40 mil para viabilizar a morte da profissional de saúde.

Do montante total pactuado, contudo, somente R$ 10 mil chegaram às mãos do executor confesso, Lucival Lopes de Souza, vulgo “Pitaca”. O restante da quantia — cerca de R$ 30 mil — teria sido retido por intermediários que fizeram a ponte entre o contratante e o atirador. Segundo a equipe de investigação da Polícia Civil, esses articuladores já foram identificados e estão sob apuração para que a responsabilidade penal de cada integrante seja delimitada.
Dinâmica do homicídio e medidas de segurança
A médica foi alvejada a tiros na noite de 2 de novembro de 2026, enquanto confraternizava com amigos em um gastrobar de Brasiléia. Imagens de monitoramento registraram o momento em que um indivíduo usando capacete entrou armado no estabelecimento, aproximou-se da mesa e efetuou os disparos.
Na data do atentado, a vítima já dispunha de medidas protetivas ativas concedidas pela Justiça e portava o dispositivo de alerta de emergência (“botão do pânico”), enquanto o suspeito cumpria determinação de monitoramento por tornozeleira eletrônica em razão de ocorrências prévias de perseguição e ameaças.
Prisão do atirador e estado do mandante
A captura de “Pitaca” ocorreu após diligências das forças de segurança na zona rural de Epitaciolândia. Ao prestar depoimento oficial, Lucival admitiu ter efetuado os disparos e mencionou ter sido desvinculado da organização criminosa à qual pertencia, já que a facção rejeitava condutas de pistolagem.

Já o suposto mandante, que teve a prisão preventiva expedida pela Vara Criminal de Brasiléia, foi encontrado inconsciente em sua residência logo após o crime, apresentando quadro de intoxicação medicamentosa. Permanece internado sob ventilação mecânica e escolta policial na rede hospitalar, razão pela qual ainda não pôde ser ouvido formalmente pelos delegados.
Durante buscas no imóvel de Valadares Neto, os peritos apreenderam medicamentos, substâncias suspeitas e uma carta, além de um computador contendo consultas sobre o caso na internet. O inquérito segue em andamento para fechar a participação dos intermediadores e formalizar a conclusão da denúncia.








